2025, o ano do Mutirão Lusófono da Energia
O lema da ALER aquando da sua criação era “colocar a lusofonia no mapa das energias renováveis”. Acredito que, através das nossas actividades contribuímos para a concretização deste objectivo, uma vez que o potencial e os desenvolvimentos do sector das energias renováveis dos países de língua portuguesa, em particular os africanos, já estão amplamente divulgados e, em muitos casos, são considerados uma referência. A recente inauguração do maior sistema fotovoltaico fora da rede da áfrica Subsariana em Angola, ou os impressionantes números de integração de renováveis atingidos em Cabo Verde, são um testemunho deste sucesso.
Estes progressos por si só já seriam uma excelente razão para celebração dos nossos primeiros 10 anos de actividade. Mas, em 2025, fizemos parte de uma mudança que nos enche de orgulho e motivação para continuarmos o nosso caminho.
No ano que passou, a presidência Brasileira da COP30 convocou a comunidade internacional para um Mutirão Global para a mudança do clima. O conceito de Mutirão, herdado dos povos indígenas do Brasil, significa “uma comunidade que se reúne para trabalhar numa tarefa compartilhada”, e está também presente noutras expressões dos países lusófonos, tal como o “Djunta Mon” do crioulo de Cabo Verde e Guiné-Bissau, também usado em São Tomé e Príncipe, que significa "Juntar as Mãos", simbolizando união, entre-ajuda, solidariedade e a força de alcançar objectivos em conjunto.
Imbuída deste espírito, a ALER dinamizou, em 2025, um verdadeiro Mutirão Lusófono da energia. Para além de continuar a salientar as melhores experiências a nível nacional, durante o ano passado juntámos as mãos de todos os países de língua portuguesa e criámos um movimento colectivo para uma verdadeira colaboração regional, em que o todo foi maior do que as partes. Mais que conhecer e agregar, elevámos os países da CPLP, posicionando-os como um bloco estratégico, com um lugar e uma voz relevante nas agendas internacionais.
Foi este movimento que nos inspirou na escolha do novo lema da ALER “Unimos pela energia”.
O apelo ao nosso Mutirão Lusófono foi respondido primeiro em Março, a nível técnico durante o 4º Seminário de Energia e Clima da CPLP, em São Tomé e Príncipe, e posteriormente a nível ministerial, em Maio, na II Conferência de Energia da CPLP. Nestes eventos, que contaram com a participação de todos os nove países de língua portuguesa, consolidámos a cooperação lusófona na área de energia, fortalecemos o alinhamento regional, e encontrámos uma narrativa comum para esta Comunidade. Estes encontros representaram também um espaço para o diálogo entre os países da CPLP, e entre estes e os parceiros internacionais, salientando a mais-valia de trabalharmos em conjunto na procura de novas alianças e parcerias estratégicas.
Mas não ficámos por aqui. Como resultado destes eventos, e com vista a concretizar o potencial de colaboração conjunta, elaborámos o Roteiro de Cooperação 2030 em Energia e Clima nos Países da CPLP, o primeiro instrumento que integra de forma estratégica as dimensões de energia, clima e finanças verdes entre os Estados-Membros da CPLP. Mais do que uma agenda comum, o Roteiro constitui uma visão colectiva de desenvolvimento orientado para resultados. É um documento aberto, em permanente evolução com as contribuições das várias partes interessadas, impulsionador de acções concretas, que demonstra o espírito de “Djunta Mon”. O Roteiro foi lançado em Outubro, em Moçambique, durante a I Semana de Energia e Clima da CPLP e apresentado a nível internacional na COP30, no Brasil, em Novembro – a COP lusófona.
Sabemos que o mutirão não é só um chamamento a estar presente em eventos ou redigir documentos, mas um convite a trabalhar em conjunto para transformar compromissos em acções com impacto. É por isso que, em 2026, voltaremos a “arregaçar as mangas”, direccionando este Mutirão Lusófono para a identificação de pipelines de projectos de energia e sua concretização no terreno, juntando sector público, sector privado e financiadores.
Convido todos a se juntarem a este Mutirão Lusófono em 2026 para, juntos, acelerarmos as transições energéticas, justas, inclusivas e sustentáveis em cada país de língua portuguesa.
