Meta de 35% de electrificação até 2035 cria oportunidades para os países de língua portuguesa
A Presidência da COP31 anunciou uma nova meta global para aumentar a participação da electricidade na procura final de energia de 20% para 35% até 2035, colocando a electrificação no centro da transição energética global. A iniciativa procura acelerar a utilização de electricidade nos sectores dos edifícios, transportes e indústria, contribuindo para uma maior integração das energias renováveis na economia.
O desafio passa agora por ir além da expansão do acesso à electricidade. Em muitos países, a prioridade deixa de ser apenas ligar mais consumidores à rede, passando também por promover novas utilizações da electricidade que impulsionem a industrialização verde, a mobilidade eléctrica, a digitalização, os centros de dados e o acesso fogões eléctricos para cozinha limpa. A electrificação torna-se, assim, uma ferramenta para aumentar a produtividade, criar emprego e gerar maior valor acrescentado local.
O tema da electrificação esteve também em destaque durante o workshop promovido pela ALER e pela LACLIMA na SB64, em Bonn, onde foi apresentado o estudo da IRENA “Transitioning Away from Fossil Fuels: A Roadmap Based on Renewables, Electrification and Grid Enhancement”. A meta agora anunciada pela Presidência da COP31 está alinhada com este roteiro, que identifica a electrificação, as energias renováveis e o reforço das redes eléctricas como pilares fundamentais da transição energética.
Para os países de língua portuguesa, esta meta assume particular relevância devido à elevada incorporação de energias renováveis no mix eléctrico que permite que a electrificação promova a sua independência e segurança energética, a par da descarbonização. Os dados mais recentes mostram que vários destes mercados já apresentam uma participação de energias renováveis superior a 50% na capacidade instalada de produção de electricidade, incluindo Cabo Verde (94%), Brasil (85%), Portugal (80%), Moçambique (78%) e Angola (65%). Com a continuação dos investimentos em energias renováveis e infra-estruturas eléctricas, a tendência é para que esta participação continue a aumentar.
Ao reconhecer que diferentes países seguirão trajectórias distintas, a meta de 35% até 2035 constitui um importante sinal para governos, investidores e parceiros de desenvolvimento, incentivando políticas e investimentos que acelerem a electrificação e reforcem o papel das energias renováveis na transição energética.
