ALER marca presença no Fórum de Investimento da África Lusófona 2026
A ALER participou, pelo segundo ano consecutivo, no Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, que decorreu entre os dias 26 e 27 de Outubro, na cidade da Praia, em Cabo Verde. O evento reuniu governos, instituições financeiras internacionais, investidores e empresas para debater oportunidades de investimento e cooperação nos países africanos de língua portuguesa.
A ALER esteve representada pela Directora Executiva, Isabel Cancela de Abreu, participando nos debates juntamente com vários Associados, entre os quais a Source Energia, a PLMJ, a Linklaters e a APP – Águas de Ponta Preta, bem como representantes dos Ministérios da Energia de Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau (Associados Honorários).
Na sessão de abertura, o Vice-Presidente da International Finance Corporation (IFC), Ethiopis Tafara, destacou o potencial da África Lusófona para atrair investimento privado, defendendo uma maior integração dos mercados dos países de língua portuguesa e o desenvolvimento de corredores económicos capazes de impulsionar sectores estratégicos como a energia, o agronegócio e o turismo.
Também Harold Tavares, Director Executivo do Grupo Banco Mundial, enfatizou a necessidade de mobilizar investimento privado para responder aos desafios de desenvolvimento e criação de emprego em África, defendendo a criação de um corredor atlântico lusófono articulado com a costa do Índico em Moçambique e propondo a criação de um hub lusófono no Grupo Banco Mundial que aproxime investidores e oportunidades de negócio entre África, Europa e América Latina.
Um dos destaques do Fórum foi a apresentação dos Compactos Nacionais de Energia de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, no âmbito da iniciativa Mission 300, num painel que contou também com a participação de Pedro Coutinho, da Source Energia e Membro da Direcção da ALER.
A Guiné-Bissau apresentou a sua ambição de acelerar o acesso à electricidade, actualmente próximo dos 40%, e alcançar a universalização até 2030, antecipando em cinco anos a meta nacional. Para tal, o Compacto estabelece uma carteira de investimentos estimada em cerca de 664 milhões de dólares, dos quais pelo menos 30% deverão ser mobilizados junto do sector privado até 2030.
Por sua vez, Cabo Verde, com uma taxa de acesso à electricidade próxima dos 97%, reafirmou o objectivo de alcançar o acesso universal até 2028 e de atingir 70% de energias renováveis até 2031 e 100% até 2040, com redes e armazenamento modernos. O país prevê investimentos de cerca de 520 milhões de dólares, dos quais metade deverá ser mobilizada junto do sector privado.
O sector energético angolano esteve igualmente em destaque durante o Fórum. Num painel dedicado à transição energética, Angola apresentou os progressos alcançados nos últimos anos e os objectivos de atingir 10 GW de capacidade instalada até 2027, com 77% de energias renováveis na matriz eléctrica, incluindo 15% de energia solar. Foram ainda destacadas as reformas regulatórias em curso para facilitar a participação do sector privado, bem como a importância dos corredores regionais de transporte de electricidade para a integração nos mercados africanos de energia.
Apesar das diferentes realidades nacionais, os casos de Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau evidenciaram uma ambição comum: acelerar o acesso à energia, mobilizar investimento e reforçar a cooperação regional como motores do desenvolvimento económico e social. Ao longo dos debates tornou-se evidente que a energia continuará a desempenhar um papel central na transformação económica dos países africanos de língua portuguesa.