30 de Maio 2026

'Angola mantém-se aberta à cooperação internacional, ao investimento privado e às parcerias estratégicas que permitam acelerar o financiamento de projectos sustentáveis'

A transição energética constitui hoje um dos maiores desafios e, simultaneamente, uma das maiores oportunidades para os países que procuram assegurar desenvolvimento sustentável, segurança energética e crescimento económico inclusivo. Em Angola, este processo está a ser conduzido de forma estruturada, responsável e estratégica, no quadro da visão do Executivo liderado por Sua Excelência Presidente da República, João Lourenço.

 

A aposta de Angola na transição energética é clara e inequívoca. O país possui recursos naturais extraordinários. Hídricos, solares, eólicos e de biomassa, que lhe conferem vantagens competitivas únicas no contexto africano. A visão do Executivo passa pela valorização destes recursos para garantir um sistema energético moderno, sustentável e capaz de responder às necessidades das populações e da economia nacional.

 

Esta orientação foi reafirmada pelo Presidente João Lourenço durante a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, realizada em Glasgow (COP26), onde Angola assumiu o compromisso de continuar a expandir a produção de energia limpa e reforçar as medidas de combate às alterações climáticas. Na ocasião, o Chefe de Estado sublinhou que Angola pretende consolidar uma matriz energética predominantemente limpa, baseada essencialmente em fontes renováveis, em particular a hídrica e a solar, contribuindo assim para os esforços globais de descarbonização.

 

É neste quadro que o sector da Energia e Águas tem vindo a implementar um vasto conjunto de projectos estruturantes que estão a transformar o panorama energético nacional.

 

Angola apresenta actualmente uma das matrizes energéticas mais limpas de África, com cerca de 70% da energia eléctrica produzida a partir de fontes renováveis, sobretudo hidro-eléctricas, meta que o Executivo pretende elevar progressivamente nos próximos anos.

 

No domínio da energia solar, Angola está a executar um dos mais ambiciosos programas de electrificação limpa do continente africano. Os parques solares em construção e já concluídos representam um marco histórico no processo de diversificação da matriz energética nacional e na expansão do acesso à electricidade em regiões anteriormente dependentes de combustíveis fósseis.

 

Entre os projectos de maior relevância destacam-se os parques solares do Biópio e da Baía Farta, na província de Benguela, com capacidade conjunta superior a 280MW, constituindo actualmente dos maiores empreendimentos solares da África Subsaariana. Estes projectos representam um avanço significativo na redução das emissões de carbono, na diminuição da dependência de centrais térmicas e na promoção do desenvolvimento económico regional.

 

Importa igualmente destacar que já se encontram em funcionamento importantes centrais solares no leste do país, nomeadamente os parques solares do Luau e do Cazombo, na província do Moxico Leste, bem como os parques solares de Luena, na província do Moxico, de Saurimo, na Lunda Sul, e de Lucapa, na Lunda Norte.

 

Estes projectos estão a melhorar significativamente o fornecimento de energia eléctrica às populações, reduzindo a dependência de geradores térmicos e promovendo maior estabilidade no abastecimento energético das regiões.

 

Na província da Lunda Norte, o Executivo prepara igualmente a entrada em funcionamento, nos próximos tempos, dos parques solares do Cuango e do Cafunfo, permitindo que mais comunidades passem a beneficiar de energia limpa, fiável e sustentável, com impacto directo na qualidade de vida das populações e no desenvolvimento das actividades económicas locais.

 

O Executivo angolano está igualmente a implementar novos projectos solares em outras províncias do país, no âmbito do programa de expansão da energia renovável e universalização do acesso à electricidade. Estes investimentos permitirão levar energia limpa e sustentável às populações, dinamizar actividades produtivas locais e melhorar substancialmente a qualidade de vida das comunidades.

 

A estratégia energética nacional contempla também soluções híbridas e sistemas isolados para zonas mais remotas, combinando energia solar com armazenamento em baterias, permitindo acelerar a electrificação rural e reduzir custos operacionais associados ao transporte de combustíveis.

 

Paralelamente, Angola continua a consolidar a sua posição como uma potência hidro-eléctrica africana. Os grandes aproveitamentos hidro-eléctricos existentes e em desenvolvimento constituem pilares fundamentais da segurança energética nacional e da estratégia de transição energética.

 

O Aproveitamento Hidro-eléctrico de Capanda representa um marco histórico na produção de energia em Angola, tendo desempenhado um papel decisivo na recuperação e estabilização do Sistema Eléctrico Nacional. Cambambe, por sua vez, beneficiou de importantes obras de ampliação e modernização, aumentando significativamente a capacidade de produção e reforçando a fiabilidade do fornecimento de energia.

 

Já o Aproveitamento Hidro-eléctrico de Laúca constitui uma das maiores infra-estruturas energéticas de África, sendo actualmente o principal centro produtor de energia eléctrica do país. Este empreendimento simboliza a capacidade de Angola em concretizar projectos estruturantes de grande dimensão, essenciais para sustentar o crescimento económico e industrial nacional.

 

No mesmo sentido, o projecto de Caculo Cabaça, actualmente em desenvolvimento, representa mais um passo estratégico na expansão da capacidade de geração hidro-eléctrica nacional. Com elevada capacidade instalada, esta infra-estrutura permitirá reforçar a segurança energética, aumentar a exportação potencial de energia na região austral de África e consolidar a liderança de Angola no domínio das energias limpas.

 

O Executivo angolano encara a transição energética não apenas como uma obrigação ambiental, mas sobretudo como um instrumento de desenvolvimento económico e inclusão social. O aumento do acesso à energia eléctrica constitui um factor essencial para a industrialização, para a criação de emprego, para o fortalecimento dos serviços sociais básicos e para a melhoria das condições de vida das populações.

 

Ao mesmo tempo, Angola mantém-se aberta à cooperação internacional, ao investimento privado e às parcerias estratégicas que permitam acelerar a inovação tecnológica, a formação de quadros e o financiamento de projectos sustentáveis.

 

Neste contexto, importa destacar a relevância da colaboração institucional entre o Ministério da Energia e Águas e a ALER, cuja acção tem contribuído para fortalecer a cooperação no espaço lusófono, promover o intercâmbio de conhecimentos e incentivar o desenvolvimento das energias renováveis nos nossos países.

 

Angola continuará empenhada em construir um futuro energético mais sustentável, inclusivo e resiliente, colocando a energia ao serviço do desenvolvimento humano, do progresso económico e da preservação ambiental para as gerações futuras.

 

João Baptista Borges

Ministro da Energia e Águas de Angola