2 de Outubro 2026

Capacidade eléctrica instalada em Angola cresce 3% desde 2022, com reforço das renováveis e reformas no sector

A capacidade eléctrica instalada em Angola atingiu 6.382 MW em Julho de 2026, mais 3% do que em 2022. Os dados são da Direcção Nacional de Energia Eléctrica (DNEE) do Ministério da Energia e Águas e foram apresentados por Victor Fontes, presidente da Associação Angolana de Energias Renováveis (ASAER), no IV Fórum Energia e Ambiente. O fórum foi organizado pelo jornal Expansão a 25 de Setembro, em Luanda, sob o tema “A Reforma do Sector Eléctrico e PPPs”.

 

A energia hídrica continua a dominar a matriz, com cerca de 59% da capacidade instalada, enquanto a térmica recuou cerca de 7% e representa hoje cerca de 33%. A solar é a fonte que mais cresce. Passou de 221 MW para 422 MW, quase duplicando, e já representa cerca de 7% da capacidade instalada, contra 4% em 2022. A capacidade solar de iniciativa privada também aumentou, de 25 MW para 60 MW [ler mais aqui].

 

Na abertura do fórum, o Secretário de Estado para a Energia, Arlindo Carlos, sublinhou que não basta produzir mais energia: é preciso garantir que chega aos consumidores com qualidade. Entre as medidas em curso, destacou a modernização da Central de Capanda e os sistemas de armazenamento de energia (BESS). Referiu também as centrais solares off-grid de Cazombo e Luau e as interligações regionais com a Namíbia, no âmbito da SAPP, e com a República Democrática do Congo, no quadro da PEAC.

 

O Secretário de Estado lembrou ainda que o quadro legal já permite o investimento privado em toda a cadeia de valor, através de Produtores Independentes de Electricidade (IPP) e de Parcerias Público-Privadas (PPP). Acrescentou que os novos pedidos de grandes cargas industriais, iguais ou superiores a 50 MW, deverão passar a prever co-investimento ou autoprodução [ler mais aqui].

 

Na mesa-redonda, representantes da ENDE, da RNT, da PRODEL, da Mitrelli e da Direcção Nacional das PPP do Ministério do Planeamento apresentaram várias propostas para reforçar a distribuição e a sustentabilidade financeira do sector. Entre elas estão a melhoria da qualidade do serviço público, o ajustamento gradual das tarifas aos custos e a promoção do pagamento regular da energia consumida. Os participantes defenderam também a abertura do mercado a novos operadores na distribuição e na comercialização, com recurso a Parcerias Público-Privadas, e uma maior aposta em fontes alternativas e em tecnologia para reduzir as perdas técnicas [ler mais aqui].