Novos relatórios da IRENA confirmam competitividade das renováveis e crescimento nos países de língua portuguesa
As mais recentes publicações da IRENA, Renewable Power Generation Costs in 2025 e Renewable Energy Statistics 2026, confirmam que as energias renováveis continuam a afirmar-se como a opção mais competitiva para nova geração eléctrica e a ganhar peso no sistema eléctrico mundial. Em 2025, a capacidade renovável instalada ultrapassou pela primeira vez a capacidade do carvão à escala global, enquanto mais de 90% da nova capacidade renovável entrou em operação com custos inferiores à alternativa fóssil mais barata.
Após mais de uma década de redução de custos, a energia solar fotovoltaica estabilizou em 44 USD/MWh e a eólica atingiu 33 USD/MWh. Desde 2010, os custos destas tecnologias caíram 89% e 71%, respectivamente, consolidando as energias renováveis como a fonte mais económica para nova capacidade de geração na maioria dos mercados.
O Brasil afirmou-se como uma das referências mundiais na competitividade da energia solar, registando um custo médio de geração de 37 USD/MWh, entre os mais baixos do mundo.
Nos países de língua portuguesa, os dados da IRENA revelam uma evolução positiva da capacidade renovável instalada. Entre 2024 e 2025, o Brasil aumentou a sua capacidade renovável de 213,8 GW para 228,2 GW (+6,7%) e Portugal de 20,5 GW para 21,7 GW (+5,6%), enquanto Cabo Verde registou um crescimento de 25,9% e São Tomé e Príncipe de 25%.
A energia solar fotovoltaica continua a ser a tecnologia que mais impulsiona o crescimento renovável nos países de língua portuguesa. O Brasil adicionou cerca de 10 GW de nova capacidade solar num único ano, passando de 37,5 GW para 47,5 GW; enquanto Portugal reforçou a sua capacidade em cerca de 1 GW. Cabo Verde aumentou a sua capacidade solar de 28 MW para 43 MW, evidenciando o papel crescente desta tecnologia na expansão renovável na região.
A evolução observada no espaço da CPLP acompanha uma tendência mais ampla no continente africano, onde a energia solar continua a crescer a um ritmo acelerado. Segundo a African Energy Live Data, a capacidade solar ligada à rede instalada em 2026 já ultrapassou a registada durante todo o ano de 2025.
Por outro lado, a energia hídrica continua a representar a principal fonte renovável em vários países africanos de língua portuguesa, nomeadamente Angola e Moçambique, mas sem crescimento significativo entre 2024 e 2025. Esta tendência reforça a importância da diversificação tecnológica e do papel da energia solar na próxima fase de expansão das energias renováveis.
As conclusões da IRENA assumem especial relevância num momento em que a Presidência da COP31 propôs aumentar a participação da electricidade no consumo final de energia para 35% até 2035. Segundo a Agência, alcançar este objectivo exigirá elevar a quota das energias renováveis na produção mundial de electricidade para cerca de 78% até 2035. A competitividade crescente das energias renováveis reforça, por isso, o seu papel enquanto principal motor da electrificação dos transportes, da indústria, dos edifícios e das soluções de cozinha limpa.
Para além dos benefícios ambientais, a IRENA destaca que a produção renovável evitou centenas de milhares de milhões de dólares em importações de combustíveis fósseis e milhares de milhões de toneladas de emissões de CO₂ em 2025, reforçando o seu papel na segurança energética, competitividade económica e resiliência dos sistemas energéticos.
A IRENA sublinha, contudo, que o principal desafio já não é tecnológico, mas financeiro. Os custos de financiamento continuam a ter um impacto determinante na viabilidade dos projectos, sendo fortemente influenciados por factores como o risco, a estabilidade regulatória e o acesso a capital em condições competitivas.
