'O alcance do acesso universal à energia exige níveis de investimento que apenas poderão ser alcançados através de parcerias entre o Estado, investidores e parceiros de desenvolvimento'
A realização da quinta edição da Conferência Empresarial de Energias Renováveis em Moçambique (RENMOZ 2026) acontece num momento particularmente importante para o sector energético nacional. Num contexto em que o mundo procura responder aos desafios das alterações climáticas, da segurança energética e do desenvolvimento económico, Moçambique reafirma a sua convicção de que a transição energética deve ser conduzida de forma justa, inclusiva e adaptada às realidades de cada país.
Esta visão assenta num princípio de que não existe um único caminho para todos, pois os países possuem recursos, necessidades e níveis de desenvolvimento distintos que devem ser considerados para garantir crescimento económico, criação de emprego, industrialização e acesso universal à energia.
A energia renovável em Moçambique é uma fonte e base essencial no contexto da diversificação da matriz e estratégia energética, sem descurar o papel que o gás natural continuará a desempenhar como combustível de transição. O aproveitamento das nossas reservas de gás permitirá gerar receitas, impulsionar a industrialização, reforçar a segurança energética e criar as condições necessárias para acelerar, de forma sustentável, a integração de fontes renováveis na matriz energética nacional.
O nosso potencial hidroeléctrico superior a 18 GW, cerca de 23 GW de potencial solar, recursos eólicos significativos e importantes reservas de gás natural colocam-nos numa posição privilegiada para contribuir simultaneamente para a segurança energética regional e para a transição energética global.
Todavia, transformar este potencial em desenvolvimento exige muito mais do que recursos naturais. Exige um ambiente regulatório moderno, previsível e transparente que atraia investimento. Foi com este propósito que o Governo concluiu recentemente um importante ciclo de reformas estruturantes, com destaque para a aprovação do Regulamento de Concessões de energia e da Taxa de Acesso Universal, instrumentos que reforçam a segurança jurídica, promovem a concorrência e criam condições favoráveis ao investimento privado.
O sector privado assume, por isso, um papel central na concretização desta visão. O alcance do acesso universal à energia, a expansão da capacidade de geração, o desenvolvimento de soluções descentralizadas, o reforço da rede eléctrica e a implementação de grandes projectos de infra-estruturas energéticas exigem níveis de investimento que apenas poderão ser alcançados através de parcerias entre o Estado, os investidores e os parceiros de desenvolvimento.
Projectos estruturantes como a Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa, as centrais de Massingir e Mavuzi II e os programas de mini-redes solares demonstram que Moçambique está preparado para acolher investimento de longo prazo, oferecendo oportunidades concretas em toda a cadeia de valor da energia.
Os resultados alcançados reforçam esta confiança. Entre 2018 e 2026, a taxa nacional de electrificação passou de 30% para 66%, reflectindo o compromisso do Governo em expandir o acesso à energia como condição indispensável para o desenvolvimento económico e social.
Temos a expectativa de que a RENMOZ possa servir de alavanca para catapultar projectos viáveis e financeiramente bancáveis, afirmando-se dessa forma como uma plataforma privilegiada para aproximar governos, investidores, instituições financeiras, empresas, academia e parceiros de cooperação.
O futuro energético do país será construído com uma visão equilibrada, que combine energias renováveis e gás natural, investimento privado, inovação tecnológica e políticas públicas consistentes.
É esta abordagem integrada que permitirá a Moçambique responder simultaneamente aos desafios da transição energética global e às necessidades de desenvolvimento da sua população.
Estêvão Pale
Ministro dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique