Quadrante: Da avaliação ambiental ao financiamento de grandes projectos de energia e infra-estruturas
A crescente complexidade dos projectos de energia e infra-estruturas tem vindo a reforçar a importância das componentes ambiental e social na sua viabilização e financiamento. Neste contexto, a Quadrante tem vindo a afirmar-se como um parceiro de referência, acompanhando projectos desde a sua conceção até ao financiamento, construção e operação.
Nesta entrevista, Rodrigo Ferreira (Global Account Lead - Sustainable Cities da Quadrante), partilha a visão da empresa sobre o papel da consultoria ambiental e social na transição energética, os desafios dos mercados africanos e as oportunidades associadas ao desenvolvimento de projectos sustentáveis.
Qual é o enquadramento da Área de Ambiente no Grupo Quadrante e como está actualmente organizada – quer em termos de dimensão, como de estrutura e presença geográfica?
A Área de Ambiente é uma das unidades de negócio do Grupo Quadrante, integrada no Sector de Negócio de Cidades Sustentáveis, com uma actuação verdadeiramente transversal às geografias e às diferentes disciplinas de engenharia e arquitectura do Grupo. Trabalhamos também em estreita ligação com os Sectores de Negócio de Energia e Mobilidade e beneficiamos da base técnica, da reputação e da presença internacional do Grupo, cujo mérito é reconhecido em Portugal e nos restantes mercados onde actua.
Essa pertença é determinante para o nosso posicionamento estratégico. Não queremos ser apenas uma consultora que avalia um projecto depois de este estar pensado e desenhado. Queremos participar nas decisões que definem a localização, o conceito, as alternativas, os custos e o calendário, combinando conhecimento ambiental e social com uma compreensão concreta da engenharia, da construção e do financiamento de grandes infraestruturas.
A estrutura da Área segue um modelo internacional e multidisciplinar, articulando equipas próprias em Portugal, África e América Latina com especialistas locais, consultores de diferentes áreas técnicas e parceiros nos países onde trabalhamos. Este modelo permite-nos juntar conhecimento profundo dos contextos nacionais, capacidade de mobilização internacional e experiência em projectos sujeitos a referenciais particularmente exigentes.
Mais do que uma Área centrada no licenciamento, estamos a construir uma plataforma integrada de consultoria ambiental e social de nível internacional. As nossas competências abrangem avaliação de impactes, Environmental and Social Due Diligence (ESDD), gestão de riscos, biodiversidade, alterações climáticas, reassentamento e reposição dos meios de subsistência, envolvimento de stakeholders, direitos humanos e acompanhamento ambiental e social ao longo de todo o ciclo de vida dos projectos.
A Área tem crescido de forma muito rápida, sustentada pelo reconhecimento dos clientes, pela expansão internacional da Quadrante e por uma procura crescente de serviços cada vez mais especializados. Combinamos liderança sénior, equipas de produção com forte conhecimento local e uma rede internacional de especialistas. Esta organização dá-nos escala, sem perder proximidade, agilidade ou capacidade de pensar soluções ajustadas a cada projecto.
A nossa ambição é clara: usar a solidez e o ADN de engenharia da Quadrante para desenvolver uma Área de Ambiente inovadora, internacional e capaz de competir nos mercados mais exigentes. A engenharia dá-nos pragmatismo e capacidade de execução; a componente ambiental e social acrescenta antecipação de riscos, resiliência, alternativas e valor de longo prazo.
Quais são as principais áreas de actuação e serviços prestados pela Área de Ambiente? A actividade está sobretudo centrada no licenciamento ambiental previsto na legislação de cada país ou abrange igualmente outras vertentes de consultoria ambiental e social?
O licenciamento ambiental, desenvolvido de acordo com o quadro legal e institucional de cada país, continua a ser uma base importante da nossa actividade. Em Portugal, acompanhamos todo o ciclo de licenciamento e desenvolvemos igualmente serviços de licenciamento industrial e de licenciamento ambiental integrado. Estamos em vários projectos de escala nacional e fazemo-lo de forma consciente. Na grande maioria juntamos forças com outras Unidades de Negócio do Grupo.
Mas a nossa actuação vai hoje muito além dessa base. Acompanhamos os projectos desde a selecção da localização e o planeamento até ao financiamento, construção, operação e, quando aplicável, desactivação. Trabalhamos em avaliação de impacte, biodiversidade, alterações climáticas, solos contaminados, ordenamento do território, desempenho ambiental e social, SIG e soluções digitais, em estreita articulação com a Unidade de Negócio de Sustentabilidade.
Temos também uma especialização muito forte em projectos sujeitos a financiamento internacional. Realizamos ESDD, muitas vezes em representação dos financiadores, auditorias independentes, preparação de Planos de Ação Ambiental e Social (ESAP) - e monitorização da sua implementação durante a construção e a operação. A componente social inclui envolvimento de partes interessadas, direitos humanos, reassentamento, reposição de meios de subsistência, condições laborais e património cultural.
O que nos distingue é a capacidade de transformar estes temas em decisões práticas. Não nos limitamos a identificar riscos: ajudamos a redesenhar soluções, priorizar acções e criar condições para que os projectos sejam licenciáveis, financiáveis e executáveis. Muitas vezes, a melhor medida ambiental não é acrescentar um plano no final; é alterar uma localização, um acesso, um traçado ou uma solução construtiva enquanto essa decisão ainda é possível.
No contexto mais amplo da transição energética, quais são as principais tipologias de projectos de energias renováveis e de baixo carbono em que a Quadrante tem participado, em Portugal e nos mercados internacionais?
Em Portugal, a nossa experiência abrange sobretudo projectos solares fotovoltaicos e eólicos, incluindo linhas eléctricas, subestações e restantes infraestruturas de ligação à rede. Temos também uma presença crescente em sistemas de armazenamento de energia por baterias - BESS -, centrais de biometano e biogás, unidades de digestão anaeróbia e outros projectos associados à valorização energética e à descarbonização. O nosso portefólio recente mostra uma Área atenta à evolução da transição energética e preparada para responder a tecnologias e modelos de negócio novos.
Nos mercados internacionais, em particular em África e na América Latina, trabalhamos em grandes projectos solares, eólicos e hidroeléctricos, incluindo barragens e redes de transporte e distribuição de energia, portos e aeroportos. Nestes contextos, a escala dos investimentos e a complexidade territorial e social exigem equipas capazes de articular biodiversidade, ocupação do solo, reassentamento, meios de subsistência, relação com comunidades e requisitos dos financiadores.
A nossa intervenção pode começar muito antes do licenciamento, com a selecção da localização, a análise de alternativas e a identificação de condicionantes, e prolongar-se até ao financiamento, construção e operação. Avaliamos o sistema energético como um todo - unidade de produção, acessos, linhas, subestações e instalações auxiliares - e procuramos integrar as medidas ambientais e sociais no próprio desenho de engenharia, em vez de as tratar como um elemento separado.
Através da relação próxima entre a ALER e a Quadrante, temos acompanhado o envolvimento da empresa no apoio a diversas operações de project finance promovidas por empresas portuguesas em África e na América Latina, mesmo fora do nicho das energias renováveis. Quais são os sectores que têm assumido maior relevância neste tipo de trabalho?
A energia e as grandes infraestruturas têm assumido a maior relevância – veja-se o sucesso das iniciativas em Angola e Moçambique da ALER. No sector energético, destacam-se os projectos solares, eólicos e hidroeléctricos, as redes de transporte e distribuição, o armazenamento de energia, o hidrogénio e outras tecnologias de baixo carbono. São sectores em transformação acelerada, nos quais o risco ambiental e social pode influenciar directamente o desenho, o financiamento e o calendário do investimento.
Nas infraestruturas, temos apoiado operações rodoviárias, ferroviárias, portuárias e aeroportuárias, bem como projectos de água, saneamento e gestão de resíduos. São investimentos estruturantes, frequentemente com forte interação com o território e as comunidades e com riscos relevantes em matéria de biodiversidade, aquisição de terras, reassentamento, condições laborais, saúde e segurança e resiliência climática.
Temos igualmente experiência nos sectores mineiro, industrial, agroindustrial, de petróleo e gás e em infraestruturas sociais, incluindo saúde e educação. Esta diversidade é importante porque nos obriga a evitar soluções padronizadas: cada sector tem riscos, interlocutores, ritmos de decisão e exigências financeiras próprios.
Em todos estes sectores, o nosso papel é ajudar a transformar projectos tecnicamente promissores em projectos financiáveis e executáveis. Podemos apoiar os promotores na preparação para financiamento ou actuar de forma independente em representação dos financiadores, através de ESDD, avaliação de riscos, definição de ESAP e monitorização. A nossa actuação aproxima engenharia, ambiente, cliente e financiadores, antecipando temas que poderiam gerar atrasos, custos adicionais ou perda de confiança. Gostamos de estar nas discussões de estratégia de investimento – esse é o nosso lugar natural.
Neste contexto, quem são os principais clientes da Área de Ambiente: entidades públicas, promotores privados, instituições financeiras, financiadores internacionais ou empresas de engenharia e construção?
Trabalhamos com todos esses perfis, e essa diversidade é uma das forças da Área. Os promotores privados e as empresas de engenharia e construção têm um peso muito relevante, sobretudo em grandes projectos de energia e infraestruturas, nos quais apoiamos o licenciamento, a avaliação de impactes, a preparação para financiamento e o acompanhamento durante a execução.
Trabalhamos também com entidades públicas e governos nacionais em projectos estruturantes de transportes, energia, água, saneamento, resíduos e infraestrutura social. Nestes mandatos, combinamos estudos estratégicos e avaliações ambientais e sociais com apoio institucional e preparação dos projectos para os requisitos das entidades financiadoras.
As instituições financeiras, os bancos comerciais, as agências de crédito à exportação e as instituições financeiras de desenvolvimento são igualmente clientes centrais. Nesses casos, actuamos de forma independente, em representação dos financiadores, realizando ESDD, auditorias, definição e monitorização de ESAP e acompanhamento ambiental e social ao longo da construção e da operação. Em paralelo, estamos a desenvolver um reforço comercial dirigido a bancos, instituições financeiras de desenvolvimento, agências de crédito à exportação e outros financiadores internacionais, procurando compreender antecipadamente as suas prioridades e construir relações de confiança de longo prazo.
Conhecer os diferentes lados da mesa dá-nos uma vantagem real. Compreendemos as prioridades do promotor, as limitações da engenharia, as preocupações das autoridades e comunidades e os critérios dos financiadores. Isso permite-nos funcionar como uma ponte técnica e ajudar a desbloquear decisões que, de outro modo, poderiam permanecer fragmentadas.
Para além da sua actuação autónoma no mercado, a Área de Ambiente presta também apoio às áreas de engenharia e arquitetura do Grupo Quadrante. De que forma esta integração multidisciplinar constitui uma vantagem, tanto na preparação de propostas como na execução dos projectos? Essa capacidade é reconhecida pelos clientes e pelos mercados onde o Grupo actua?
Esta integração é uma das principais vantagens competitivas da Quadrante e uma expressão concreta da forma como queremos trabalhar. A Área de Ambiente não surge apenas a jusante para licenciar um projecto já definido; participa desde as fases iniciais, identificando condicionantes, riscos e oportunidades que podem influenciar a localização, o projecto, custo e calendário do investimento.
Na preparação das propostas, conseguimos apresentar uma visão única e coerente, reunindo engenharia, arquitectura, ambiente, social e sustentabilidade. Em vez de somar disciplinas que trabalham em paralelo e desgarradas, construímos uma solução conjunta. Isso reduz interfaces, melhora a leitura dos riscos e permite ao cliente ter uma equipa com responsabilidade clara sobre o resultado global.
Durante a execução, o contacto directo entre especialistas ambientais e sociais e as equipas de projecto permite incorporar medidas de mitigação no desenho, testar alternativas e resolver problemas antes de estes chegarem à obra ou ao processo de financiamento. Na prática, significa menos retrabalho, decisões mais rápidas, maior controlo de custos e prazos e soluções mais robustas.
Esta capacidade é reconhecida pelos clientes, sobretudo em projectos especialmente complexos. O mercado valoriza uma equipa que compreende simultaneamente a solução técnica, o contexto local e os referenciais internacionais. Estamos num Grupo de engenharia respeitado, em Portugal e internacionalmente, e queremos usar essa credibilidade para ir mais longe: não apenas cumprir requisitos, mas melhorar os projectos.
No que respeita aos países africanos de língua portuguesa, Moçambique e Angola continuam a representar uma parte significativa do portefólio da Área de Ambiente? Que evolução têm observado nestes mercados e que sectores apresentam actualmente maior potencial?
Sim. Angola e Moçambique continuam a representar uma parte muito relevante do nosso portefólio internacional e são mercados onde a Quadrante construiu experiência, relações de confiança e conhecimento institucional ao longo de vários anos. Essa base permite-nos abordar novas oportunidades com maior rapidez, mas também com consciência das especificidades locais.
Em Angola, observamos uma diversificação clara. Para além dos sectores tradicionais (redes de transporte e electrificação, infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, água, saneamento e desenvolvimento urbano), cresce a procura associada à energia solar, centrais de biomassa e hidrogénio, infraestruturas de dessalinização, indústria pesada, entre outros. O nosso portefólio recente inclui dezenas de projectos solares, linhas, estradas, pontes, ferrovia e sistemas de abastecimento de água, incluindo ESDD e monitorização de ESAP.
Em Moçambique, mantemos uma presença forte em energia, transportes, portos, mineração e grandes projectos de capital. A evolução mais interessante tem sido a passagem do licenciamento para serviços de maior especialização e continuidade, como sistemas de gestão, supervisão de construção, biodiversidade, reassentamento, envolvimento de comunidades e acompanhamento de requisitos dos financiadores. Pela nossa experiência in loco por muitos anos, os projectos de gás no norte de Moçambique incluem, neste contexto, várias linhas de trabalho ambiental e social.
Em ambos os países, vemos maior potencial na transição energética, nas redes associadas, nos corredores logísticos, na água e saneamento e nos projectos financiados por instituições internacionais. O desafio – e também a oportunidade - é combinar equipas locais, conhecimento do território e metodologias internacionais, criando soluções robustas e capacidade técnica que permaneça nos próprios mercados.
Quais são os principais desafios ambientais e sociais que os projectos de energia e de infraestruturas enfrentam actualmente nos mercados africanos e latino-americanos?
O primeiro desafio é conciliar a escala e a urgência dos investimentos com contextos territoriais, sociais e institucionais complexos. Aquisição de terras, reassentamento físico ou económico, reposição de meios de subsistência, envolvimento das comunidades e gestão de expectativas locais podem determinar a aceitação, o calendário e, em última análise, a viabilidade de um projecto.
A biodiversidade é outro tema crítico, sobretudo quando os projectos atravessam habitats naturais ou críticos, áreas protegidas ou territórios de elevado valor ecológico. A resposta não pode surgir apenas no final do estudo: é necessário aplicar cedo a hierarquia de mitigação, desafiar localizações e desenhos e definir medidas de restauro, compensação e monitorização tecnicamente credíveis.
Acrescem as alterações climáticas, a escassez de água, os eventos extremos e a resiliência das infraestruturas, bem como as condições laborais, a saúde e segurança das comunidades, os direitos humanos, o património cultural e a actuação das forças de segurança. Estes temas cruzam ambiente, social, engenharia e gestão e exigem equipas capazes de olhar para o projecto de forma integrada.
Existe ainda uma diferença frequente entre estar legalmente licenciado e estar preparado para financiamento internacional. Um projecto pode cumprir o quadro nacional e, ainda assim, apresentar lacunas face aos Princípios do Equador IV, aos Padrões de Desempenho da IFC ou a outros requisitos dos financiadores, incluindo boas práticas.
A chave é antecipar e construir racional sobre dados e experiência. Quanto mais cedo estes riscos alimentarem no planeamento e no desenho técnico, maior será a possibilidade de evitar conflitos, atrasos e custos adicionais. É aqui que procuramos pensar fora da caixa: usar dados, engenharia e conhecimento local para encontrar soluções antes de os problemas se tornarem compromissos difíceis de alterar.
Que importância assumem hoje os requisitos das instituições financeiras internacionais, nomeadamente os Princípios do Equador e os Padrões de Desempenho da IFC, na preparação e implementação destes projectos? Quão diferente é o quadro legal nacional destes standards?
Assumem hoje uma importância central. Nos projectos sujeitos a financiamento internacional, os Princípios do Equador IV e os Padrões de Desempenho da IFC não são apenas boas práticas: influenciam a estruturação do financiamento, as condições precedentes ao desembolso e as obrigações que o projecto terá de cumprir durante a construção e a operação. Em muitos casos, a capacidade de demonstrar uma gestão ambiental e social robusta é tão relevante para a bancabilidade como a solução técnica ou financeira.
A diferença face ao quadro legal nacional varia de país para país. Em alguns mercados existe uma aproximação significativa; noutros, a legislação concentra-se sobretudo no licenciamento e na aprovação do estudo de impacte. Os referenciais internacionais acompanham todo o ciclo de vida e aprofundam temas como impactes cumulativos, habitats críticos, direitos humanos, condições laborais, mecanismos de reclamação, aquisição de terras e reposição dos meios de subsistência.
Em Portugal, temos mantido um canal de diálogo aberto com a Agência Portuguesa do Ambiente e com outros organismos públicos, envolvidos nos processos de licenciamento, e organismos privados. Estas interacções são importantes para discutir a adopção, ainda que selectiva e ajustada ao contexto nacional, de boas práticas internacionais que possam reforçar a qualidade da avaliação, do licenciamento e do acompanhamento ambiental e social. Não se trata de importar modelos de forma acrítica, mas de escolher o que acrescenta valor e adaptar essas metodologias à realidade portuguesa.
Na prática, cumprir a legislação nacional continua a ser obrigatório, mas pode não ser suficiente para assegurar financiamento internacional. É necessário identificar as diferenças entre referenciais, convertê-las num Environmental and Social Action Plan (ESAP) com responsabilidades, prazos e indicadores e acompanhar a sua implementação. É precisamente nesta ponte entre o quadro nacional, a engenharia e as expectativas dos financiadores que a experiência internacional da Quadrante cria mais valor.
A inovação na Área de Ambiente da Quadrante passa apenas pela adopção de SIG e ferramentas digitais ou também pela criação de novas competências? Que importância assume a identificação e capacitação de jovens recém-licenciados nos mercados onde atuam, proporcionando-lhes contacto com metodologias e referenciais internacionais ainda pouco comuns no mercado português?
A inovação não se limita aos Sistemas de Informação Geográfica, detecção remota, plataformas digitais ou sistemas de monitorização, embora estas ferramentas já estejam a transformar a forma como recolhemos, cruzamos e comunicamos informação. A Quadrante tem vindo a desenvolver soluções próprias de análise geoespacial, recolha de dados, tratamento de informação e monitorização ambiental e social, permitindo decisões mais rápidas e transparentes.
Mas inovar é, acima de tudo, criar competências e novas formas de trabalhar. Significa combinar ambiente e social com engenharia, financiamento internacional, alterações climáticas, direitos humanos, reassentamento, biodiversidade e análise de dados. A tecnologia só tem verdadeiro impacto quando as equipas conseguem interpretar os resultados, questionar pressupostos e convertê-los em decisões de projecto.
Por isso, a identificação e capacitação de jovens recém-licenciados é estratégica central. Procuramos integrar profissionais dos mercados onde actuamos e proporcionar-lhes contacto real com projectos complexos, equipas internacionais e referenciais como os Padrões de Desempenho da IFC, os Princípios do Equador e o quadro ambiental e social do Banco Mundial. A aprendizagem acontece no terreno, em estudos, auditorias, interacção com comunidades e monitorização, e não apenas em formação teórica.
Este modelo combina experiência sénior e energia jovem, conhecimento local e metodologias globais. Através de mentoria e transferência de conhecimento durante a execução, queremos criar equipas progressivamente autónomas e capacidade técnica duradoura nos países onde trabalhamos. Essa é também uma forma de inovação: deixar um mercado mais preparado do que o que encontrámos. As nossas equipas são constituídas por colaboradores muito motivados, com curvas de aprendizagem impressionantes, espírito crítico e vontade de participar em projectos fora da caixa: desafiantes, exigentes e capazes de acelerar o seu desenvolvimento profissional.
Também em Portugal existe muito espaço para reforçar esta exposição. Algumas destas metodologias continuam pouco presentes na prática corrente, sobretudo quando aplicadas de forma integrada ao longo do ciclo de vida. Queremos formar uma nova geração de consultores apta para trabalhar simultaneamente com o quadro nacional, com a engenharia e com as exigências internacionais - uma geração com rigor técnico, curiosidade e coragem para propor soluções diferentes.
Olhando para o futuro, qual é a estratégia de médio e longo prazo da Área de Ambiente da Quadrante? Quais serão os mercados, competências e linhas de serviço prioritários para o seu crescimento?
A nossa ambição é construir, dentro da Quadrante, uma plataforma internacional de consultoria ambiental e social particularmente forte em project finance. Queremos combinar a solidez de um Grupo de engenharia respeitado, a experiência internacional das suas equipas, conhecimento local e inovação digital para competir nos mercados mais exigentes e apoiar projetos com verdadeiro impacto.
Geograficamente, vamos consolidar Portugal e África, onde já temos equipas, experiência e relações de longo prazo, e acelerar o crescimento na América Latina, com prioridade para Brasil, México, Chile e Peru e a outros mercados onde o Grupo tenha presença e projectos estruturantes – como nos EUA. No México e no Brasil, estamos já a formar equipas com um foco claro em project finance e a construir parcerias locais fortes com empresas de pequena e média dimensão, altamente especializadas e de enorme qualidade técnica. Este modelo permite combinar presença local, conhecimento regulatório e capacidade internacional sem perder agilidade.
Não queremos crescer através de uma oferta genérica de licenciamento – aí estaríamos na mediania do mercado. As linhas prioritárias serão os serviços de maior valor acrescentado associados ao financiamento e à execução: ESDD, avaliações de impacte alinhadas com os financiadores, ESAP e respetiva monitorização, apoio independente aos financiadores, IESC (Independent Environmental and Social Consultant), reassentamento e reposição de meios de subsistência, envolvimento de partes interessadas e direitos humanos.
Vamos também reforçar competências em biodiversidade e habitats críticos, no net loss e net gain, alterações climáticas e resiliência, eficiência de recursos e transição energética. Em paralelo, continuaremos a investir em SIG, detecção remota, inteligência de dados e ferramentas digitais que tornem as análises mais rápidas, consistentes e úteis para a decisão.
O crescimento terá de ser acompanhado por capacidade real de execução. Vamos combinar especialistas internacionais com equipas locais, investir na formação de jovens consultores, desenvolver metodologias comuns e reforçar o controlo de qualidade. Queremos crescer depressa, mas sem perder rigor, proximidade, agilidade ou confiança.
Em síntese, queremos evoluir de uma lógica de serviços isolados para uma oferta integrada, que acompanhe os projectos desde a ideia inicial até ao financiamento, construção e operação. A nossa ambição é pensar de forma diferente, desafiar soluções e abrir novos mercados, sempre a partir de uma base muito sólida: a experiência, a reputação e a cultura de engenharia da Quadrante. O nosso pipeline inclui já vários megaprojectos promovidos por empresas europeias, nomeadamente portuguesas, em África e na América Latina, o que confirma a relevância desta estratégia e a confiança crescente do mercado na capacidade da Quadrante.
